E nós nem imaginávamos que seria assim. Tão completo,
urgente, ardente, insano... E único.
Não existe um e outro. Somos dois. Complementares. Você o
menino, eu a mulher. Você o homem, eu a menina. Colo e aconchego. Abraço que
acalma a alma. Vontades que não tem fim. Paixão desenfreada que nos tira e rumo
e não nos permite pensar muito.
Entrega... Plena e completa entrega.
Não mandamos, não obedecemos. Apenas sentimos e deixamos
esse sentimento nos guiar. Sentimento que nos fez entender que não ‘necessitamos’
um do outro. Que podemos sim, viver separados. Mas escolhemos estar juntos.
Escolhemos encurtar distâncias, diminuir ausências, construir uma história
juntos.
Não temos um relacionamento, temos uma vida que segue
caminho. Uma vida que partilhamos. NOSSA vida. NOSSO amor. NOSSO querer. Uma
vida que é baseada em verdades, sinceridades, lealdade, confiança, pureza de
sentimentos, incertezas, medos, inseguranças, dúvidas e muito, muito amor. Uma
vida onde não cabem mentiras ou falsidades. Uma vida onde não há lugar para
maldades. Uma vida que nos permite ver um ao outro como somos. Enxergar nossa
essência e crescer com isso.
Sempre foi assim. Cada dia um tijolinho. Cada dia um momento
a ser guardado na memória. Brigas, amor, saudades...
Delícias, vontades, cumplicidades...
Tentativas, erros, acertos...
E quantas vezes nos negamos. Quantas vezes nos afastamos [ou
pelo menos tentamos]. Quantas vezes ansiamos pelo que não tínhamos, buscamos o
colo que não nos era dado, o abraço apertado e a vontade de ser um só...
Quantas noites desejamos a presença um do outro, quando na
verdade o que tínhamos era outra presença que não a nossa...
Mas cada dia uma pecinha nova se encaixava no quebra cabeças
de nossa história... Cada dia nossa vontade de nós mesmos aumentava e nos
mostrava o que teimávamos em não ver, em não saber, em não reconhecer... Que
nos pertencíamos mesmo sem querer...
Nossas almas se reconheceram de imediato e nossos corpos e
mentes demoraram tanto para se convencer disso...
Nossos corpos se desejaram desde sempre e nossas almas
lutaram na tentativa de não aceitar esse desejo que nos movia e removia e
revolvia e reconhecia e recebia e entregava e doava e dava e pedia e sorria e
chorava e sonhava e clamava e doía e endoidecia e alucinava e amava e amava e
amava...
Tanto amor... Tanto querer... Tantos desejos...
Tanto de você em mim...
Tanto de mim em você...
Tanto de nós dois em nossas camas, em nossos lençóis, em
nossa pele, em nossos sentidos...
Tanto de nós dois a nos inebriar corpo e alma...
Tanto de nós dois para nos lembrar todo o tempo o quanto
somos um do outro...
O quanto somos de nós dois...
Te amo...
Nos amo...
Amo tudo que temos, cada pedacinho desse ‘céu’ que
construímos...
Cada cantinho desse nosso ‘inferno’ particular...
Cada espacinho desse paraíso que é estar em você e tê-lo em
mim...
Assim,
sem fim em mim... E eu? Totalmente sem fim em você... Para você...
Danielle Sgorlon

